Nesta semana, o Instituto Senai de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa), localizado em Três Lagoas, MS, sediou o 4º Workshop Internacional de Inovação em Biomassa. O evento reuniu especialistas do Brasil e do exterior para discutir inovação, descarbonização, transição energética e novas tecnologias aplicáveis à biomassa. A iniciativa destacou o papel da cidade como polo de pesquisa voltada ao aproveitamento de materiais orgânicos e resíduos, reforçando a importância de transformar esses recursos em energia, novos produtos e soluções industriais. O workshop marcou mais um passo na consolidação da bioeconomia regional.
A biomassa compreende todo material orgânico de origem vegetal ou animal, podendo ser considerado resíduo ou matéria-prima. Na indústria, seu uso abrange a geração de energia, processos térmicos e a produção de insumos para novos produtos. Exemplos citados no encontro incluem o eucalipto, cultivado em larga escala na região, e os dejetos da produção pecuária, que podem ser convertidos em biocombustíveis ou fertilizantes de alto valor agregado. A proposta das pesquisas do ISI Biomassa é ampliar essas aplicações, aumentando o valor econômico dos recursos disponíveis e reduzindo a dependência de fontes fósseis.
Inovação e parceria
Fundado há 12 anos, o ISI Biomassa completou nove anos em seu atual prédio em Três Lagoas, onde desenvolve mais de 35 projetos em diferentes estágios. A equipe conta com cerca de 70 colaboradores, entre pesquisadores, bolsistas e estagiários, que trabalham em conjunto com empresas de setores como celulose, energia e agroindústria. Essa estrutura permite a proximidade entre pesquisa e produção, facilitando a transferência de tecnologia e a adaptação de soluções às demandas do mercado. O instituto tem se consolidado como referência nacional em inovação biomassa, atraindo investimentos e parcerias estratégicas.
Durante o workshop, foram apresentadas pesquisas que visam atender demandas específicas da indústria local e nacional. O diretor‑regional do Senai de Mato Grosso do Sul, Rodolpho Mangialardo, ressaltou que a proximidade entre pesquisadores e empresas é um dos principais objetivos do instituto. “Temos palestras internacionais e, principalmente, a oportunidade de mostrar o trabalho dos nossos pesquisadores e conectar essas pesquisas às necessidades da indústria”, afirmou. Segundo ele, cada ensaio ou estudo abre a possibilidade de criar novos produtos ou processos que aumentem a competitividade das empresas participantes.
O evento contou ainda com a presença de representantes dos institutos alemães Fraunhofer IGB e Fraunhofer UMSICHT, que mantêm parceria de longo prazo com o ISI Biomassa. Luciana Vieira de Souza Maciel, líder de grupo do Instituto Fraunhofer, destacou que a cooperação envolve projetos de tecnologia e soluções para o setor produtivo. Ela explicou que a colaboração permite que as duas instituições desenvolvam pesquisas de forma complementar, combinando expertise brasileira e alemã para buscar oportunidades de cooperação que beneficiem empresas de ambos os países.
Desafios e oportunidades
Roberto de Medeiros Júnior, superintendente de Inovação e Tecnologia do Senai Nacional, afirmou que a biodiversidade brasileira cria oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias e novos negócios ligados à bioeconomia. “Quando falamos de bioeconomia, estamos falando de uma nova indústria. Ela pode ser um diferencial tanto para a geração atual quanto para as futuras”, declarou. O executivo ressaltou que os projetos em biomassa podem gerar renda, fomentar novos empreendimentos e fortalecer a indústria regional, contribuindo para a transição energética do país.
José Ricardo Ramos Salles, coordenador‑geral de Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), participou do encontro e enfatizou a importância da integração entre governo, indústria, academia e institutos de pesquisa. Ele relacionou o avanço das pesquisas em biomassa à implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, destacando que iniciativas como o ISI Biomassa são fundamentais para transformar recursos biológicos em soluções competitivas. Segundo Salles, o apoio institucional deve se traduzir em incentivos fiscais e linhas de crédito que estimulem a expansão dos projetos em todo o país.
Com mais de uma década de atuação, o ISI Biomassa coloca Três Lagoas no centro das discussões sobre aproveitamento de recursos biológicos e desenvolvimento de soluções industriais. O crescimento da cadeia da celulose na região cria um ambiente propício para a expansão das pesquisas em biomassa, que podem gerar novos produtos, processos mais limpos e oportunidades de negócios. O instituto pretende ampliar ainda mais seu portfólio de projetos nos próximos anos, consolidando a cidade como referência nacional em bioeconomia e contribuindo para a diversificação da matriz energética brasileira.








