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PT de MS mira abstenção para reduzir vantagem de Flávio Bolsonaro

Deputado Vander Loubet destaca alta abstenção em Mato Grosso do Sul no primeiro turno

O Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul concentrou sua estratégia para o segundo turno na captação dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. O estado registrou a maior taxa de abstenção do país, com 483 mil eleitores ausentes, o que representa quase 24% do total.

No primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 34,68% dos votos válidos em MS. Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 58,60%. A diferença entre os candidatos foi de 356.496 votos. O objetivo declarado do partido é recuperar a marca de 40% obtida por Lula no segundo turno de 2022.

Ausência do presidente

O presidente Lula não possui visita agendada a Mato Grosso do Sul. A deputada federal Camila Jara afirmou que o mandatário deve realizar atos em outros estados, mas MS não está na lista inicial. Ministros e lideranças nacionais podem ser enviados ao estado, seguindo o modelo adotado no primeiro turno.

A estrutura de campanha de Lula no estado é menor que a de Flávio Bolsonaro. Fábio Trad (PT), que perdeu a disputa pelo governo com 322.807 votos (23,68%), declarou que mobilizará seus apoiadores. Ele foi convidado por Lula para uma reunião em Brasília com candidatos derrotados em outros estados.

Mobilização em campo

Os candidatos derrotados ao Senado também integram a equipe de campanha. Vander Loubet (PT), presidente do PT estadual, teve 13,88% dos votos para o Senado. A senadora Soraya Thronicke (PSB), que não se reelegeu, obteve 13,07%. Ambos percorrerão o estado.

Camila Jara, deputada federal mais votada de MS com 154.157 votos, lidera a gestão das redes sociais. Ela atua junto com o deputado estadual eleito Tiago Botelho e o vereador Jean Ferreira. Gleice Jane ficará responsável pela região da Grande Dourados. Zeca do PT, ex-governador e quarto deputado estadual mais votado, visitará assentamentos. Candidatos indígenas, como Eliel Kaiowá, atuarão nas aldeias.

O foco principal é a busca por eleitores em assentamentos e aldeias. A chuva do dia 4 do primeiro turno dificultou o deslocamento nessas áreas. É nesses locais que Lula tem maior força. Ele venceu em seis municípios, incluindo Japorã (67,26%) e Tacuru (57,82%). Em Corumbá e Aquidauana, a diferença para Flávio foi menor.

Lula possui voto próprio além do apoio partidário. Ele recebeu 194 mil votos a mais que Fábio Trad no estado. Simulações indicam que a transferência de votos dos candidatos derrotados pode ampliar a vantagem de Flávio para cerca de 390 mil votos. Para atingir 40%, Lula precisaria de aproximadamente 617 mil votos, o que exige 100 mil votos a mais que no primeiro turno.

Se o PT levar 100 mil eleitores ausentes às urnas e Lula capturar 70% deles, a votação do petista chegaria a 38,9%. A diferença cairia para cerca de 345 mil votos. Mesmo com a mobilização de 150 mil ausentes, Lula ficaria abaixo de 40%. A base de Flávio, liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP), também busca esses eleitores.

A estratégia em MS visa conter danos. Uma mobilização forte pode reduzir a diferença de 390 mil para cerca de 340 mil votos. Isso representa um ganho de 40 mil a 50 mil votos na conta nacional. O resultado depende de quem conseguir levar mais eleitores ausentes às urnas no dia 25.

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