Pesquisar

Focus aponta piora no cenário econômico para 2026 com juros e dólar em alta

Analistas cortam o crescimento do PIB para 1,76% e preveem moeda norte-americana a R$ 5,34 no fim do ano - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

As projeções do Boletim Focus, divulgadas pelo Banco Central nesta semana, indicam uma deterioração no cenário macroeconômico para 2026. Analistas do mercado financeiro revisaram para cima as expectativas de inflação, juros e câmbio. Ao mesmo tempo, reduziram pela terceira semana consecutiva a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto.

No primeiro levantamento após a definição da disputa presidencial, a previsão de expansão do PIB para este ano caiu de 1,80% para 1,76%. Os economistas consultados projetam uma recuperação gradual, com avanço de 1,20% em 2027 e de 1,80% em 2028.

Revisão de câmbio e juros

O ajuste mais expressivo ocorreu na cotação do dólar. A estimativa para o fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34 na semana anterior. O mercado prevê que a moeda norte-americana alcance R$ 5,40 tanto em 2027 quanto em 2028.

Na política monetária, a mediana para a taxa Selic ao final de 2026 aumentou de 13,25% para 13,50% ao ano. O valor retorna ao patamar projetado há quatro semanas. Como a taxa atual está em 13,75%, a projeção reflete a expectativa de apenas um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Para 2027 e 2028, as taxas estimadas são de 12,50% e 11,00%, respectivamente.

Pressão sobre o custo de vida

O IPCA projetado para 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, mantendo trajetória de alta frente aos 5,01% registrados no mês passado. As projeções para os anos seguintes são de 4,76% em 2027 e 4,00% em 2028.

Os dados refletem as medições recentes do IBGE. A prévia da inflação oficial (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro, acumulando 4,62% em 12 meses. Esse índice está acima do teto da meta anual. Apesar da desaceleração mensal frente a setembro, que foi de 0,70%, os alimentos pressionaram o bolso do consumidor.

Os maiores aumentos vieram de itens básicos da cesta alimentar. O tomate teve alta de 24,54%, a cebola de 13,63%, a batata-inglesa de 10,96% e o arroz de 5,80%. A bandeira tarifária verde aliviou a conta de luz, mas não compensou o impacto dos alimentos.

Isso vai fechar em 35 segundos