As projeções do Boletim Focus, divulgadas pelo Banco Central nesta semana, indicam uma deterioração no cenário macroeconômico para 2026. Analistas do mercado financeiro revisaram para cima as expectativas de inflação, juros e câmbio. Ao mesmo tempo, reduziram pela terceira semana consecutiva a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto.
No primeiro levantamento após a definição da disputa presidencial, a previsão de expansão do PIB para este ano caiu de 1,80% para 1,76%. Os economistas consultados projetam uma recuperação gradual, com avanço de 1,20% em 2027 e de 1,80% em 2028.
Revisão de câmbio e juros
O ajuste mais expressivo ocorreu na cotação do dólar. A estimativa para o fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34 na semana anterior. O mercado prevê que a moeda norte-americana alcance R$ 5,40 tanto em 2027 quanto em 2028.
Na política monetária, a mediana para a taxa Selic ao final de 2026 aumentou de 13,25% para 13,50% ao ano. O valor retorna ao patamar projetado há quatro semanas. Como a taxa atual está em 13,75%, a projeção reflete a expectativa de apenas um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. Para 2027 e 2028, as taxas estimadas são de 12,50% e 11,00%, respectivamente.
Pressão sobre o custo de vida
O IPCA projetado para 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, mantendo trajetória de alta frente aos 5,01% registrados no mês passado. As projeções para os anos seguintes são de 4,76% em 2027 e 4,00% em 2028.
Os dados refletem as medições recentes do IBGE. A prévia da inflação oficial (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro, acumulando 4,62% em 12 meses. Esse índice está acima do teto da meta anual. Apesar da desaceleração mensal frente a setembro, que foi de 0,70%, os alimentos pressionaram o bolso do consumidor.
Os maiores aumentos vieram de itens básicos da cesta alimentar. O tomate teve alta de 24,54%, a cebola de 13,63%, a batata-inglesa de 10,96% e o arroz de 5,80%. A bandeira tarifária verde aliviou a conta de luz, mas não compensou o impacto dos alimentos.







