Pesquisar

Prefeitura de Tacuru abre PAD contra dois motoristas após ameaças a indígenas

Visita de comitiva ministerial realizada no último sábado Foto: Rony Eloy

A Prefeitura de Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul, abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra dois servidores municipais. Os funcionários, ambos motoristas, foram apontados como responsáveis por um áudio que contenha ameaças de envenenamento à água de indígenas da Aldeia Sassoró. A gravação, divulgada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provocou a denúncia de lideranças indígenas e a atenção do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Em resposta à recomendação do Ministério Público Federal, a Prefeitura afastou os motoristas cautelarmente por 20 dias. O afastamento foi comunicado ao MPF nesta terça-feira (3). A administração municipal informou que os servidores já foram ouvidos pela Polícia Federal e que as informações solicitadas pelo MPF foram respondidas. O prazo de 48 horas estabelecido pelo Ministério Público para esclarecimentos sobre as ameaças foi cumprido pela prefeitura.

Apesar das investigações, a Prefeitura garante que os serviços públicos nas aldeias Sassoró e Jaguapiré continuam em funcionamento. Outros servidores assumiram as atividades de abastecimento de água, quando necessário, e de recolhimento de resíduos da escola e do posto de saúde. A administração municipal permanece à disposição para colaborar com ações de verificação e monitoramento da qualidade da água, em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e os órgãos de vigilância sanitária.

Investigação em andamento

O caso ganhou atenção nacional após a divulgação do áudio, no qual um dos motoristas teria declarado a intenção de envenenar a água da comunidade. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público Federal, que acionou a Polícia Federal para apurar as ameaças, racismo e violência política contra os povos indígenas de Mato Grosso do Sul. Em resposta, o governo federal mobilizou uma força‑tarefa para investigar os incidentes. No sábado (31), os ministros dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, visitaram as aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru, para ouvir lideranças e avaliar a necessidade de medidas adicionais de proteção.

A Prefeitura de Tacuru esclareceu que os motoristas não operam caminhão‑pipa, informação que tem sido divulgada incorretamente em algumas publicações. O município afirmou que as aldeias não necessitam de fornecimento de água por caminhão‑pipa e que a água das comunidades é abastecida por outras fontes. A administração municipal reforçou que os serviços de abastecimento e coleta de resíduos continuam sendo prestados por servidores diferentes, garantindo a continuidade das atividades essenciais nas aldeias para garantir a segurança.

Até o momento, as medidas administrativas adotadas pela prefeitura incluem a abertura do PAD e o afastamento cautelar dos dois servidores. O Ministério Público Federal mantém a investigação em curso, enquanto a Polícia Federal continua a apurar os fatos. A expectativa é que, após a conclusão das diligências, o MPF emita um parecer sobre a responsabilização dos envolvidos. Para as comunidades indígenas, a situação reforça a necessidade de vigilância e diálogo constante entre o poder público e os povos originários, a fim de garantir a proteção de seus direitos e a qualidade de vida nas aldeias.

Isso vai fechar em 35 segundos