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Lucien Rezende propõe cinturões verdes e regionalização da saúde no MS

Lucien Rezende nos estúdios da Massa FM Campo Grande - Foto: Ana Lorena Franco

Lucien Rezende, candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo PSOL, apresentou um plano de governo focado na descentralização econômica e no fortalecimento da agricultura familiar. As propostas foram detalhadas durante entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Massa FM Campo Grande. O candidato, que é pequeno produtor rural e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Ribas do Rio Pardo, defendeu a criação de cinco cinturões verdes no estado.

O objetivo central da iniciativa é ampliar a produção local de alimentos e reduzir a dependência de produtos importados de outros estados. Rezende argumenta que a medida deve gerar renda para pequenos produtores e abastecer o mercado estadual de forma mais eficiente e sustentável.

Para sustentar essa proposta, o candidato citou sua experiência administrativa em Ribas do Rio Pardo. Na ocasião, ele implantou seis patrulhas mecanizadas para atender associações de assentamentos. Segundo Rezende, a disponibilização direta de maquinário aos trabalhadores resultou em melhorias concretas na produção, na qualidade dos produtos e na geração de renda.

Apoio à agricultura familiar

Além da mecanização, o plano inclui a oferta de assistência técnica, análise de solo e a criação de um banco de sementes. Rezende criticou as dificuldades enfrentadas por pequenos produtores ao buscar serviços da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural). Ele apontou problemas como o deslocamento excessivo de técnicos e a falta de estrutura laboratorial para análises de terra.

O candidato também associou a expansão da agricultura familiar à necessidade de garantir água potável e saneamento básico. Para ele, a falta de infraestrutura compromete a capacidade de produção e a qualidade de vida em assentamentos e aldeias indígenas.

Na área habitacional, a proposta prioriza a população idosa. Rezende citou que aproximadamente 400 mil pessoas com mais de 60 anos vivem em Mato Grosso do Sul. Ele estimou que 40 mil dessas pessoas ainda vivem de aluguel. O candidato defendeu que os primeiros imóveis entregues pelo governo devem ser destinados a esse público.

Rezende também mencionou uma demanda represada de quase 80 mil moradias no estado. A proposta inclui atendimento médico domiciliar para idosos, visando facilitar o acesso à saúde e reduzir deslocamentos até postos e hospitais.

Regionalização da saúde

Na saúde, a regionalização é apontada como prioridade. O plano defende a criação de polos de atendimento especializado no interior para diminuir a dependência de Campo Grande. A ideia é evitar que moradores de municípios distantes precisem viajar longas distâncias para receber tratamento.

Miranda foi citado como exemplo de município que poderia atender cidades da região, como Aquidauana, Ladário, Corumbá, Bodoquena e Nioaque. A proposta prevê a ampliação da oferta de médicos e a criação de condições para atrair profissionais para cidades mais afastadas dos grandes centros.

O candidato defendeu parcerias com prefeitos e com o Governo Federal para ampliar os investimentos na área. Ele destacou a necessidade de planejamento para que a saúde chegue de forma equitativa a todas as regiões do estado.

Em relação à infraestrutura, Rezende abordou a Rota Bioceânica. Ele criticou a falta de planejamento do Estado para acompanhar a expansão econômica da região leste, especialmente com a chegada de empresas de celulose. O candidato citou a BR-262, que liga Campo Grande à região de Três Lagoas, e defendeu a duplicação da rodovia e a retomada do transporte ferroviário.

Rezende também cobrou investimentos nas estradas vicinais e mencionou a necessidade de utilizar recursos do Fundersul para melhorar o acesso aos municípios e às propriedades rurais. Para ele, o desenvolvimento da Rota Bioceânica precisa vir acompanhado de qualificação profissional para os trabalhadores locais.

O candidato apontou que, em Ribas do Rio Pardo, uma fábrica de celulose emprega cerca de 3.700 trabalhadores, mas poucos são moradores do município. Ele argumentou que não houve planejamento do estado para receber essas fábricas e que a mesma falta de visão se aplica à Rota Bioceânica.

Por fim, Rezende defendeu a revisão dos incentivos fiscais concedidos a grandes empresas. A proposta exige contrapartidas relacionadas à geração de empregos e investimentos. Ele criticou a concessão de benefícios a multinacionais em regiões já desenvolvidas e propôs priorizar municípios do interior com menor oferta de trabalho, como Pedro Gomes e Alcinópolis.

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