O fim da escala 6×1, que reduziu a jornada de 44 para 40 horas semanais, já está afetando os pequenos comerciantes de Mato Grosso do Sul. Cada hora de trabalho passa a custar 10% a mais, pois o salário não pode ser reduzido.
O texto aprovado pelo Senado prevê uma lei complementar que visa aliviar o impacto sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. Até o momento, essa lei ainda não existe.
Para calcular o custo da hora, divide-se o salário pelo número de horas do mês: 220 na jornada de 44 horas e 200 na de 40. Com o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621, a hora passa de R$ 7,37 para R$ 7,72 na primeira etapa, com 42 horas. Na etapa final, com 40 horas, chega a R$ 8,11.
O efeito mais sentido é a perda de tempo. Uma loja com três funcionários conta hoje com 132 horas de trabalho por semana. Com a jornada de 40 horas, passa a ter 120, ou seja, 12 horas a menos.
Perda de Horas
Para manter o mesmo horário de atendimento, o comerciante tem três caminhos: pagar hora extra, contratar mais alguém ou cobrir o período por conta própria.
A hora extra tem adicional mínimo de 50%, garantido pela Constituição. Na simulação com salário mínimo, cada hora extra custaria R$ 12,16. Repor as 12 horas semanais sairia por cerca de R$ 625 por mês, sem contar encargos e reflexos em férias, 13º salário e FGTS.
Quem hoje trabalha de segunda a sábado passa a ter dois dias de descanso. Numa loja com um único empregado que abre seis dias, o sexto dia passa a depender do dono ou de outra contratação.
A conta pesa mais onde as jornadas são maiores. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 87,7% dos empregados de empresas com até quatro funcionários trabalham mais de 40 horas por semana, contra 79,7% na média nacional. Para o instituto, esses negócios podem precisar de apoio do Estado na transição.
São também os pequenos que mais contratam. No primeiro semestre de 2026, micro e pequenas empresas abriram quase 60% dos empregos com carteira assinada do país, segundo o Sebrae com dados do Caged.
Propostas de Apoio
A Fecomércio-MS estima que os custos das empresas subam entre 6,8% e 10%, e mais para pequenos negócios que precisem ampliar o quadro. A entidade não divulgou a metodologia. A federação defende regimes diferenciados por setor, definidos em lei e em acordos coletivos, respeitando o limite de 40 horas e os dois dias de descanso. Propõe ainda que as folgas possam ser compensadas ao longo do mês, desde que o trabalhador tenha ao menos um descanso por semana.
Do lado do Ipea, o pesquisador Felipe Pateo sugere ampliar a contratação em meio período como forma de adaptação.
A resposta mais esperada pelo pequeno comerciante está na lei complementar, que ainda precisa ser escrita e votada, sem prazo definido. Até a promulgação da PEC, valem as regras atuais. A primeira redução, para 42 horas, vem dois meses depois.
Assim, os pequenos comerciantes de Mato Grosso do Sul enfrentam um aumento de custos que pode exigir novas estratégias de contratação, ajuste de horários ou investimento em pessoal. A transição dependerá de quando a lei complementar for aprovada e de como os acordos coletivos serão negociados.








