A ferrovia do Projeto Sucuriú, da Arauco, avançou para a fase de instalação dos primeiros dormentes em Inocência, Mato Grosso do Sul, ultrapassando 60% da obra. A iniciativa pretende conectar a futura fábrica de celulose à Malha Norte operada pela Rumo, alterando a logística de exportação da produção regional.
Serão instalados cerca de 95 mil dormentes, peças de aço que sustentam os trilhos, cada um pesando aproximadamente 400 quilos. A primeira peça foi posicionada nesta semana, marcando o início da montagem da via férrea. A extensão total da ferrovia será de mais de 47 quilômetros, dos quais 45 km correspondem à linha principal e 9 km a trilhos internos da unidade industrial.
Jaime Verruck, ex‑secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, acompanhou a visita ao local e destacou a relevância da obra para ampliar a capacidade de transporte de cargas em Mato Grosso do Sul. Segundo Verruck, a ferrovia deve movimentar diariamente um trem com 100 vagões carregados de celulose, utilizando uma frota própria de mais de 720 vagões e locomotivas. O corredor ferroviário permitirá levar a produção de Inocência até o Porto de Santos, em São Paulo, para exportação.
Estrutura da ferrovia
Além da instalação dos dormentes, outras frentes de trabalho avançam ao longo do traçado. Entre as principais estruturas estão o viaduto ferroviário na saída da fábrica, o viaduto sobre a rodovia MS‑112 e a ponte sobre o Córrego São Mateus. As três obras encontram‑se na fase de conclusão das obras civis, preparando o leito para receber trilhos e dormentes.
Christian Carvalho, gerente de Engenharia e Implantação da Arauco, ressaltou que a ferrovia representa a primeira shortline privada do Brasil. O termo “shortline” designa ferrovias de menor extensão que conectam instalações industriais a uma malha ferroviária mais ampla, ampliando a eficiência do transporte de grandes volumes de carga.
O Projeto Sucuriú prevê investimento de US$ 4,6 bilhões na construção da fábrica de celulose, com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de fibra curta por ano. O complexo ocupa 3,5 mil hectares a cerca de 50 km do centro de Inocência e emprega mais de 14 mil pessoas na fase de construção. Após o início das operações, a estimativa é manter cerca de 6 mil trabalhadores nas áreas industrial, florestal e logística.
Impacto econômico
Ao integrar a produção à Malha Norte, a ferrovia deve reduzir a dependência do transporte rodoviário, diminuindo a circulação de caminhões nas estradas e ampliando a capacidade logística do empreendimento. Verruck apontou que o modal ferroviário pode tornar a produção sul‑mato‑grossense mais competitiva, oferecendo uma alternativa de baixo custo para o deslocamento de grandes volumes até os terminais de exportação.
Com a conclusão prevista para o final de 2025, a Arauco segue avançando na implantação da infraestrutura necessária ao escoamento da celulose. A expectativa é que, ao entrar em operação, a ferrovia possibilite o transporte diário de 100 vagões, reforçando a cadeia produtiva e contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.








