Na terça-feira (3), o mercado financeiro brasileiro registrou mais pressão generalizada, com o dólar em alta e o Ibovespa em queda, refletindo a cautela dos investidores diante da condução das contas públicas no novo mandato de Lula e da iminente decisão do Copom sobre a Selic.
O dólar comercial subiu 0,74%, fechando em R$ 5,486, e atingiu a máxima intradiária de R$ 5,509 por volta das 13h50, enquanto o índice DXY avançou 0,13%, alcançando 101,850 pontos, sinalizando força da moeda norte‑americana frente a moedas globais.
O Ibovespa encerrou a sessão com recuo de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, após registrar mínima de 164.446,53 pontos pela manhã. Foi o sexto pregão consecutivo de desvalorização das ações na B3 desde a apuração do resultado eleitoral em 25 de outubro, quando o índice caiu de mais de 205 mil pontos para os atuais 165 mil.
Os papéis da Vale e da Petrobras, que têm maior peso no índice, puxaram as baixas diante da correção das cotações internacionais de commodities, contribuindo para a queda geral do mercado.
A desconfiança aumentou com a divulgação de teses econômicas do economista André Lara Resende, que sugeriu eventuais modificações no regime monetário vigente. Para conter ruídos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas apresentam deficiências técnicas e não estão em discussão pelo governo, reafirmando a defesa de um ajuste fiscal gradual.
Mercado em queda
O clima de desconfiança foi amplificado pela repercussão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que manteve a liquidez global mais restrita, pressionando ainda mais os mercados domésticos e aumentando a volatilidade das ações brasileiras.
A cautela dos operadores esteve diretamente atrelada ao término da reunião do Copom, marcada para quarta-feira (4). A taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano, pode permanecer mais rígida após a piora nas expectativas inflacionárias, o que reforça a expectativa de juros prolongados.
Decisão do Copom
O relatório Focus divulgado pelo BC elevou a projeção para a inflação de 2027 de 4,34% para 4,76%, ultrapassando o teto da meta de 4,5%. Assim, a expectativa mediana para o patamar da Selic no fim do próximo ano subiu de 11,75% para 12,50%, indicando um cenário de juros restritivos por tempo mais prolongado.
Com a expectativa de manutenção ou aumento da Selic, os investidores permanecem cautelosos, aguardando a decisão do Copom na quarta-feira para avaliar possíveis ajustes na política monetária e seu impacto nos mercados de renda variável e cambial.
O cenário atual destaca a importância de monitorar as decisões do BC e as dinâmicas fiscais, pois qualquer mudança pode influenciar diretamente o desempenho das ações brasileiras e a cotação do dólar, afetando a economia doméstica e a confiança dos investidores.







