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Sabinata da Sisep é suspensa após briga e quebra de placa na Câmara

Fachada da Câmara Municipal de CG - Foto: Arquivo/Portal RCN67

A sabatina do secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André de Moura Brandão, foi suspensa nesta terça-feira (20) na Câmara Municipal de Campo Grande. O cancelamento ocorreu antes do início das perguntas devido a um tumulto no plenário que resultou na quebra de materiais e agressões.

O depoimento tinha como objetivo cobrar esclarecimentos sobre os contratos de manutenção viária e a precariedade das ruas da capital. No entanto, o ambiente se tornou insustentável após um princípio de confronto entre um manifestante e um servidor comissionado da Prefeitura.

Tumulto no plenário

O incidente começou quando um comerciante exibiu um cartaz em forma de maquete para protestar contra as crateras no asfalto. Incomodado com a manifestação, um servidor comissionado avançou sobre o homem, quebrou o cartaz e atirou os pedaços na direção da Mesa Diretora.

Agentes da Guarda Civil Metropolitana intervieram imediatamente para conter a confusão. Durante a ação, os guardas foram desacatados e um deles sofreu agressão física antes de conseguir retirar o autor do incidente do plenário. A situação gerou risco de confronto direto nas galerias, o que motivou a intervenção do presidente da Casa.

O vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), encerrou os trabalhos abertos e conduziu uma reunião a portas fechadas com os parlamentares e o secretário. A sessão durou cerca de duas horas. Papy remarcou a oitiva para a próxima terça-feira e lamentou o desfecho, citando a falta de segurança e a oportunidade perdida pela gestão de demonstrar postura republicana.

Críticas e próximos passos

O primeiro-secretário da Câmara, vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), criticou a presença de servidores comissionados na plateia em horário de expediente. Ele defendeu a atuação da Guarda Civil e classificou o ato como inaceitável, pois os servidores deveriam estar trabalhando em suas respectivas secretarias.

O desgaste entre o Legislativo e a Prefeitura ocorre em meio a comoção popular. A situação acelera a formalização da CPI do Tapa-Buraco na Câmara. Nos bastidores, parlamentares relataram indignação com mortes recentes em acidentes de trânsito causados pelas más condições das pistas. Mais de doze vereadores disputam as cinco cadeiras titulares da comissão, o que exigirá reuniões de lideranças para definir a composição.

Além do movimento no parlamento, os contratos de tapa-buracos são alvo de apurações da Controladoria-Geral do Município (CGM) e de inquéritos do Ministério Público Estadual (MPMS). O MPMS deflagrou a Operação Buraco Sem Fim após suspeitas de fraudes em medições e serviços.

Mesmo sem ocupar a tribuna, o secretário André de Moura Brandão prestou declarações à imprensa. Ele assegurou que o Executivo abomina atos violentos e tomará providências cabíveis. Brandão afirmou que a pasta estava pronta para responder aos questionamentos e que respeita o trabalho da CPI, colocando-se à disposição para fornecer documentações sempre que for convocado.

O secretário contextualizou o desafio da infraestrutura, apontando um passivo de décadas. Campo Grande soma 3.200 quilômetros de pistas asfaltadas, sendo que cerca de 1.700 quilômetros ultrapassam 30 anos de uso, muito acima da garantia técnica de 8 a 10 anos recomendada pelo DNIT.

Desde junho, quando assumiu o cargo, a Sisep restaurou 150 mil metros quadrados de pavimento, cobrindo cerca de 80 mil buracos. Doze equipes atuam diariamente nas sete regiões urbanas para conter danos no período chuvoso. A prefeitura concluiu a licitação de contratos de recapeamento, mas o início das obras estruturais depende da contenção emergencial dos buracos.

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