Nos primeiros quinze dias de outubro, o Estado de Mato Grosso do Sul registrou volumes de chuva que superaram a média histórica de todo o mês, com destaque para a capital, Campo Grande, que acumulou 272,8 milímetros, 81% acima da média mensal de 150,6 milímetros.
Os dados foram compilados pela equipe técnica do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (CEMTEC), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). O levantamento considerou informações de estações meteorológicas e pluviômetros de diferentes instituições entre 1º e 15 de outubro.
Além da capital, os municípios que registraram os maiores acumulados absolutos foram Itaquiraí, com 297,8 milímetros; Paraíso das Águas, na Fazenda Ranchinho, com 294,6 milímetros; Dourados, com 290,4 milímetros; Amambai, na região de Novo Horizonte, com 281,6 milímetros; e Maracaju, com 281,2 milímetros.
Em Campo Grande, todos os pontos de monitoramento citados pelo CEMTEC apresentaram volumes superiores à média histórica. No Córrego Anhanduizinho, o acumulado chegou a 272,8 milímetros, representando um excedente de 81% em relação à média de 150,6 milímetros. No Jardim Panamá foram registrados 238,2 milímetros (excedente de 58%), na UPA Aparecida Gonçalves Saraiva 235 milímetros (56% acima) e na estação do INMET, instalada na Embrapa Gado de Corte, 221,6 milímetros (47% acima).
Distribuição irregular
A avaliação técnica do CEMTEC apontou que a distribuição das chuvas foi irregular. Enquanto algumas regiões acumularam volumes expressivos, outras ainda apresentaram déficit em relação à média histórica. Em Corumbá, por exemplo, a Fazenda São Cândido registrou um acumulado 154% acima da média esperada para outubro, e a área urbana do município chegou a 130% acima. Paraíso das Águas, na Fazenda Ranchinho, registrou 117% acima; Caracol, na Fazenda Ouro e Prata, 109%; e Maracaju, 95%.
Por outro lado, municípios como Paranaíba, Sonora, Porto Murtinho (na Fazenda São Luís) e Camapuã apresentaram acumulados abaixo da média, com déficits de 46%, 34%, 21% e 15%, respectivamente. O CEMTEC alertou que essas diferenças exigem atenção tanto para a umidade do solo quanto para o risco de incêndios florestais nas áreas menos chuvosas.
Risco de incêndios
Os volumes elevados, especialmente quando concentrados em curtos períodos, reforçam a necessidade de monitorar as condições meteorológicas, a capacidade de infiltração da água no solo e a gestão dos recursos hídricos. Segundo o órgão, o avanço da transição para o período chuvoso no estado é evidente, mas o comportamento das precipitações varia de uma região para outra, o que pode impactar a agricultura, o abastecimento de água e a prevenção de desastres naturais.
O CEMTEC recomenda o acompanhamento dos acumulados nos próximos meses para avaliar a distribuição das chuvas e orientar políticas de mitigação. Autoridades municipais e estaduais deverão ajustar planos de manejo de recursos hídricos, considerando tanto as áreas com excedentes quanto aquelas com déficit, a fim de garantir a segurança da população e a sustentabilidade dos ecossistemas.
A presença de chuvas intensas na primeira quinzena de outubro também influencia a recarga dos reservatórios que abastecem a região. Segundo o CEMTEC, a infiltração acelerada pode elevar os níveis dos lagos e açudes, beneficiando o abastecimento urbano e a produção agrícola nos meses subsequentes. Contudo, a concentração de precipitação em curtos intervalos aumenta o risco de alagamentos locais, exigindo que as prefeituras reforcem a vigilância nas áreas vulneráveis.
Até o momento, não há registro de enchentes ou deslizamentos associados aos volumes observados, mas o monitoramento contínuo permanece essencial. O órgão continuará divulgando boletins semanais, permitindo que a sociedade acompanhe a evolução das precipitações ao longo da temporada.








