Na última terça-feira, 3 de novembro, vereadores de Três Lagoas expressaram inconformismo ao saber que usuários da BR 262 pagarão pedágio de ida e volta no valor de R$115,20, ou R$57,60 por trecho, a partir de fevereiro de 2027.
O debate surge em meio a reivindicações de que a duplicação da rodovia, necessária para atender ao intenso tráfego de caminhões, ainda não foi iniciada. Buracos e trechos que dependem de recapeamento são frequentes, e a terceira pista sequer começou a ser implantada.
História da BR 262
Em 1982, a defesa pelo asfaltamento da BR 262 começou a se intensificar. A luta culminou quando a administração da rodovia foi transferida do governo federal para o Estado de Mato Grosso do Sul. O próximo desafio era garantir recursos financeiros para a pavimentação asfáltica.
A solução foi encontrada em Londres, onde o então embaixador Roberto Campos buscou apoio junto a instituições financeiras britânicas. Com a anuência da União, via Senado Federal, Mato Grosso do Sul obteve uma linha de empréstimo para financiar a obra de grande relevância, que conectaria a região à capital do estado.
A empreiteira Camargo Corrêa, liderada por Sebastião Camargo, foi escolhida para executar a obra. Sebastião Camargo já havia participado de projetos de destaque, como as hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, além de centenas de obras em todo o Brasil.
Mesmo após esgotar o dinheiro do financiamento, a execução da pavimentação continuou. A administração estadual, respaldada pelo ressarcimento previsto na Lei Kandir, que obrigava a devolução de recursos financeiros ao estado por contingenciamentos do ICMS, garantiu que a Camargo Corrêa pudesse concluir a obra.
Camargo Corrêa só recebeu o saldo de sua dívida depois de mais de dez anos da conclusão da obra, um valor que não era pequeno. A história demonstra a complexidade e a duração dos processos de infraestrutura no estado.
Pedágio e duplicação
Em 2024, a BR 262 voltou à administração estadual com a intenção de privatizar a rodovia sob condição de melhorar sua pavimentação, principalmente para implantar a duplicação das pistas de rolagem. A duplicação seria necessária para atender ao intenso tráfego de caminhões entre Três Lagoas e Campo Grande.
A cobrança de pedágio, no entanto, tem sido vista como uma forma de antecipar o financiamento de obras futuras. A sociedade civil de Três Lagoas exige que a duplicação seja executada antes da cobrança, pois o valor de R$115,20 não representa uma melhoria substancial na rodovia, que ainda apresenta buracos e trechos que precisam de recapeamento.
Os protestos contra a cobrança do pedágio devem continuar, e medidas judiciais de iniciativa popular podem surgir. A Rota da Celulose precisa provar sua viabilidade antes de cobrar dos usuários. A duplicação entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo ainda não foi iniciada, o que reforça a demanda por transparência e cumprimento das promessas de melhoria da rodovia.
O próximo passo será observar se a duplicação será realmente executada antes da cobrança de pedágio, ou se a privatização seguirá sem as melhorias prometidas, o que pode levar a ações judiciais e a um debate mais amplo sobre a responsabilidade do Estado em garantir infraestrutura adequada para a população.







