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Copom mantém Selic em 13,75% com inflação acima da meta

Copom obra cautela fiscal no cenário interno para conter avanço de preços - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime entre os sete membros da autoridade monetária, em reunião presidida por Gabriel Galípolo. O colegiado optou por preservar o crédito em terreno restritivo, mesmo com sinais de desaceleração no comércio, na indústria e no mercado de trabalho.

A justificativa central para o congelamento da taxa reside na combinação de preços em aceleração no mercado interno e volatilidade geopolítica no exterior. O comunicado oficial destacou que o cenário atual é desafiador, exigindo serenidade e cautela na condução da política monetária. Os diretores apontaram que a incerteza aumentou significativamente, pressionando as expectativas de inflação para cima.

Riscos externos e fiscais

No âmbito internacional, o Banco Central identificou um ambiente mais adverso devido ao prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio. Essa instabilidade elevou as cotações internacionais do barril de petróleo e derivados, encarecendo combustíveis e aumentando os custos logísticos globais. Além disso, a manutenção de juros altos nas economias avançadas tem drenado capitais de mercados emergentes, gerando turbulência cambial e sobre ativos financeiros nacionais.

Internamente, o documento do Copom reforçou a atenção à política fiscal do governo federal. O comitê monitora como os desenvolvimentos fiscais impactam a política monetária e os ativos financeiros. Houve um alerta específico sobre a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, o que contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo da desinflação. A assimetria do risco continua inclinada para novas altas de preços, com destaque para a inflação resiliente no setor de serviços e impactos climáticos sobre a agricultura.

Os dados do Boletim Focus, citados pelo Banco Central, mostram que a expectativa de IPCA para 2026 avançou para 5,2% e para 2027 subiu para 4,8%. A projeção oficial do Copom para o segundo trimestre de 2028 foi elevada para 3,5% no cenário de referência. Esse cenário calcula o dólar partindo de R$ 5,20 e a bandeira tarifária verde de energia elétrica até o fim de 2027. Para 2026, a projeção interna do BC aponta um IPCA fechando em 5,6%, com itens administrados pressionados em 6,0% e preços livres em 5,5%.

Os índices recentes da inflação cheia e as médias das medidas subjacentes aceleraram e romperam o teto do intervalo de tolerância da meta oficial. Esse distanciamento entre as expectativas do mercado financeiro e a meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional foi um dos fatores determinantes para barrar qualquer alívio nos juros. O colegiado ponderou, contudo, que uma recessão global provocada pela guerra do petróleo ou uma perda de fôlego mais severa na produção nacional poderiam atuar como forças desinflacionárias adiante.

Votaram a favor da manutenção da taxa em 13,75% o presidente Gabriel Muricca Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira. A próxima reunião do Copom ocorrerá em breve, quando o comitê avaliará novamente os dados de inflação e atividade econômica para definir o próximo passo da política de juros.

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