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Advogados e juízes debatem rotina e crise no STF em Três Lagoas

O projeto Pontes da Justiça voltou a reunir advogados e magistrados em Três Lagoas nesta segunda edição. O evento, promovido pela Associação dos Advogados Independentes, teve como objetivo principal abrir um espaço de diálogo institucional. A proposta é aproximar profissionais que atuam em funções distintas, mas que compõem o mesmo sistema de justiça. A presença do desembargador Vilson Bertelli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, marcou a ocasião.

O formato do encontro foge do modelo tradicional de palestra. A ideia central é criar uma conversa franca e técnica. Advogados têm a oportunidade de fazer perguntas diretas e ouvir experiências de quem decide processos diariamente. Essa dinâmica busca compreender melhor a rotina de trabalho da magistratura.

Diálogo técnico e rotina

Lucas Rosa, presidente da Associação dos Advogados Independentes, explicou que o projeto visa melhorar a atuação da advocacia. Segundo ele, isso ocorre a partir da compreensão mais direta sobre o trabalho dos juízes. O objetivo é entender como o magistrado pensa e vive a rotina de julgamento e análise de processos.

Rosa afirmou que essa aproximação pode refletir na forma como os profissionais se comunicam e escrevem petições. A intenção é influenciar tecnicamente a decisão dos juízes sobre as demandas dos clientes. Para isso, é necessário compreender como os magistrados precisam ser informados e como eles operam na prática.

O desembargador Vilson Bertelli avaliou que o encontro ajuda especialmente advogados mais jovens. Ele apontou que o crescimento do número de cursos de Direito no Brasil gera insegurança na prática profissional. Muitos saem da formação sem clareza sobre como proceder em processos reais.

Desafios do Judiciário

Bertelli ressaltou que o advogado é essencial à função judicial, conforme previsto na Constituição Federal. Ele destacou que tanto juízes quanto advogados possuem prerrogativas e deveres específicos. Embora tenham funções diferentes no processo, não estão em lados opostos, mas sim colaborando para a justiça.

A conversa também abordou a sobrecarga do Judiciário. Na área cível, um desembargador pode receber cerca de 1.200 processos em apenas um mês. Bertelli ponderou que Mato Grosso do Sul vive uma situação mais confortável no cenário nacional, especialmente no segundo grau de jurisdição. Ele mantém 190 processos no gabinete e classifica sua produtividade como alta.

Apesar disso, o desembargador avaliou que o serviço judiciário no Brasil ainda não está bom. Ele citou esforços do Conselho Nacional de Justiça, mas apontou problemas no volume de processos e em um certo grau de desinformação técnica na atuação profissional. Lucas Rosa relacionou esse diagnóstico ao objetivo do encontro, defendendo que entender melhor o Judiciário ajuda a advocacia a atuar com mais precisão.

O debate também tocou na crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Bertelli afirmou que a Associação de Magistrados Brasileiros publicou nota defendendo transparência nas investigações e esclarecimento à sociedade. Ele observou que a cúpula do Judiciário está atingida pelo momento, mas os efeitos se refletem em toda a magistratura.

Segundo o desembargador, magistrados estão perplexos e preocupados com a situação atual. Ele defendeu que a cobrança por esclarecimentos não deve partir apenas do próprio Judiciário. A sociedade, a OAB e a imprensa também precisam se posicionar, especialmente quando a primeira impressão de que a atuação estava correta se dissipa e há necessidade de esclarecimentos.

Lucas Rosa fez uma distinção entre a crise no STF e a imagem da magistratura brasileira. Para ele, o problema no Supremo não representa todo o Poder Judiciário. Ele declarou que o Judiciário brasileiro não é o que se vê no STF. A associação possui uma proposta de reforma do Poder Judiciário cuja primeira medida seria tirar o Supremo do Poder Judiciário.

Na visão de Rosa, o STF deveria deixar de julgar pessoas e casos concretos. Os ministros acumulam muitas atribuições e contam com pouca fiscalização. Ele defendeu que a magistratura brasileira trabalha de forma silenciosa, com juízes e desembargadores que passam décadas na carreira antes de chegar aos tribunais. A atuação dos ministros do Supremo, segundo ele, está prejudicando a imagem da Corte e gerando descrédito entre advogados e na sociedade.

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