Um aporte de R$ 600 mil obtido pelo senador Nelsinho Trad viabilizará a implantação do Parque Azul em Paranaíba, no leste de Mato Grosso do Sul. O espaço será voltado ao atendimento, inclusão e convivência de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) atendidas pela rede municipal de ensino e de saúde.
Projeto atende demanda de famílias e profissionais
A confirmação da emenda parlamentar ocorreu após articulação da vereadora Débora Queiroz, que acompanha o tema desde fevereiro do ano passado, quando propôs ao Executivo municipal a instalação de uma sala multissensorial, conhecida como Sala Azul. Segundo a legisladora, o novo parque responde a uma reivindicação antiga de pais, cuidadores e profissionais que atuam no acompanhamento de crianças com necessidades específicas de estimulação sensorial.
Estrutura voltada a estímulo e segurança
O Parque Azul será concebido com equipamentos adequados à sensibilidade de pessoas com TEA. A proposta inclui brinquedos adaptados, circuitos de estímulo tátil e visual, ambientes de integração sensorial, áreas para regulação emocional e espaços de convivência. O objetivo central é oferecer um ambiente seguro, acessível e acolhedor, capaz de favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo e social dos usuários.
Além do parque externo, a iniciativa prevê a criação de uma Sala Azul, ambiente fechado com recursos multissensoriais utilizados em terapias de regulação neurológica. Essa estrutura deverá complementar as atividades de lazer e socialização oferecidas ao ar livre, ampliando o escopo de atendimento nas diferentes faixas etárias.
Potencial de atendimento
Atualmente, a rede municipal de ensino registra 160 estudantes com laudos de neurodivergência e outros seis em processo de investigação diagnóstica. O futuro parque deverá contemplar esse público e, ainda, crianças acompanhadas pela Secretaria Municipal de Saúde. A estimativa da prefeitura é de que o local receba também usuários vindos de bairros vizinhos e de comunidades rurais, fortalecendo a política de inclusão no município.
Etapas seguintes
Com o recurso assegurado, a administração municipal deverá iniciar as fases de planejamento técnico, elaboração de projeto executivo, licitação e contratação de fornecedores. A prefeitura estuda a possibilidade de instalar o parque em área pública já existente, reduzindo custos com aquisição de terreno e facilitando o acesso de famílias.
O cronograma preliminar prevê, ainda, capacitação de servidores da educação e da saúde para operar os equipamentos e conduzir atividades terapêuticas no espaço. A intenção é integrar profissionais de psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e pedagogia, fortalecendo o atendimento interdisciplinar.
Financiamento e contrapartidas
Os R$ 600 mil partirão de emenda parlamentar individual e serão repassados ao município por meio do Ministério responsável pelo programa voltado à pessoa com deficiência. Caberá à prefeitura apresentar plano de trabalho detalhado e prestar contas sobre a aplicação dos valores. Caso haja necessidade de complementação financeira, a gestão municipal poderá utilizar recursos próprios ou firmar parcerias com a iniciativa privada.
Impacto para a comunidade
Segundo técnicos da Secretaria de Educação, a oferta de um ambiente especializado contribui para reduzir barreiras de aprendizagem e melhorar a qualidade de vida dos estudantes com TEA. Famílias apontam a falta de espaços públicos adaptados como um dos principais entraves à socialização de crianças neurodivergentes. Com a implantação do Parque Azul, o município espera ampliar oportunidades de interação, lazer e desenvolvimento, refletindo diretamente no rendimento escolar e na inclusão social.
Profissionais de saúde destacam que a presença de equipamentos sensoriais pode auxiliar na diminuição de crises de ansiedade, melhorar a coordenação motora e favorecer a comunicação. Esses benefícios, somados ao acompanhamento terapêutico, tendem a reduzir a necessidade de deslocamento para centros especializados em outras cidades, aliviando custos e desgaste das famílias.
Perspectivas
Após a confirmação do repasse, o Executivo municipal trabalha para concluir o projeto arquitetônico nas próximas semanas. A expectativa é abrir o processo licitatório ainda no primeiro semestre, permitindo o início das obras até o fim do ano. Quando concluído, o Parque Azul deverá operar em regime de uso contínuo, com equipes multiprofissionais responsáveis por agendamento de turmas escolares, atendimentos individuais e atividades coletivas.
A destinação do recurso sinaliza a expansão de políticas públicas de inclusão em Paranaíba e cria precedente para a implementação de iniciativas semelhantes em outros municípios da região. Autoridades locais pretendem monitorar os resultados e, posteriormente, apresentar relatórios de impacto ao governo estadual e federal, buscando novos investimentos para ampliar a rede de apoio a pessoas com deficiência.








