A médica patologista Gisele Iguma, responsável pelo laboratório Lapac em Dourados, defendeu em entrevista que a prevenção ao câncer de mama não pode ficar restrita ao mês de outubro. Durante o programa Microfone Aberto, da Massa FM, ela reforçou que a mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento da doença. A especialista destacou que a informação correta ajuda a vencer o medo, os mitos e os atrasos no diagnóstico.
A mensagem central da entrevista foi que o cuidado deve ser contínuo ao longo de todo o ano. Gisele respondeu a dúvidas frequentes de ouvintes sobre diversos temas, incluindo a dor do exame, histórico familiar, obesidade, uso de sutiã, prótese de silicone e sinais de alerta no corpo.
Mamografia e diagnóstico precoce
Gisele explicou que a mamografia é um exame semelhante a um raio X. O procedimento permite identificar pequenos nódulos, microcalcificações e lesões ainda em fase inicial. Segundo a médica, quando o câncer de mama é detectado de forma precoce, a mulher pode ter mais de 95% de chance de cura. Além disso, os tratamentos necessários tendem a ser menos agressivos.
A especialista reforçou que o exame deve ser realizado anualmente a partir dos 40 anos. Ela corrigiu uma crença comum ao afirmar que a idade de início não é 50, mas sim 40 anos. Gisele destacou que a mamografia está diretamente ligada à redução da mortalidade por câncer de mama na população.
Sobre o desconforto físico relatado por muitas pacientes, a médica reconheceu que ele existe. No entanto, ela disse que a sensação costuma ser suportável e varia conforme a sensibilidade individual de cada mulher. A orientação é evitar realizar o exame no período menstrual, quando as mamas ficam mais sensíveis. Ela também lembrou que os aparelhos de mamografia estão cada vez mais modernos e confortáveis.
Uma das dúvidas mais comuns respondidas na entrevista foi se o câncer de mama causa dor. Gisele afirmou que, nas fases iniciais, a doença normalmente não provoca sintomas. Isso torna perigoso esperar por dor ou alterações visíveis para procurar atendimento médico. A ausência de sintomas é justamente o que torna o rastreamento preventivo tão importante.
Mitos e sinais de alerta
A médica listou sinais que precisam de atenção imediata. Entre eles estão a presença de nódulo, secreção espontânea pelo mamilo, principalmente quando avermelhada ou com sangue. Outras alterações incluem mudanças na pele, no mamilo, retrações, vermelhidão, irritação e nódulos na axila. Gisele ressaltou que a mulher precisa conhecer o próprio corpo para perceber essas mudanças cedo.
O autoexame tem papel importante nesse processo de reconhecimento corporal. Porém, a especialista deixou claro que ele não substitui a mamografia. O objetivo do autoexame não é detectar o câncer em fase precoce, mas sim ajudar a mulher a se conhecer e a perceber modificações no seu corpo ao longo do tempo.
Quanto ao histórico familiar, Gisele esclareceu que o fator hereditário está ligado a cerca de 10% dos casos de câncer de mama. Os outros 90% envolvem estilo de vida e fatores ambientais. Esse ponto é crucial porque muitas mulheres acreditam estar fora de risco quando não têm mãe ou avó com histórico da doença. A médica alertou que nenhuma mulher está totalmente livre de desenvolver a doença.
Segundo Gisele, o principal fator de risco é nascer mulher. A chance de desenvolver a doença varia entre 12% e 14%, conforme citado na entrevista. A obesidade também entrou na lista de alertas importantes. A médica afirmou que o excesso de peso é um fator de risco verdadeiro e está relacionado a pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo o de mama.
Gisele também desmontou mitos comuns sobre a doença. Ela garantiu que usar sutiã, inclusive para dormir, não tem relação com o desenvolvimento do câncer de mama. A compressão pode causar desconforto, mas não provoca a doença. Da mesma forma, pancadas na mama não causam câncer. Em alguns casos, o trauma faz a mulher olhar mais para a região, sentir dor, perceber um hematoma ou notar uma alteração que já existia anteriormente.
Mulheres com prótese de silicone também podem e devem fazer mamografia. A médica explicou que existem técnicas específicas e incidências diferentes para avaliar a mama sem deixar de investigar possíveis alterações. O procedimento é seguro e eficaz mesmo na presença do implante.
Ao final da entrevista, Gisele fez um apelo para que as mulheres não deixem os próprios cuidados em segundo plano. Ela lembrou que muitas cuidam da casa, dos filhos e da família inteira, mas passam anos sem fazer exames de rotina. A mensagem final foi um convite à autocuidado: mulheres devem se olhar e se tornarem a sua própria prioridade.
A médica também abordou a saúde mental. Segundo ela, a depressão não causa câncer, mas pode fazer a pessoa deixar de ir ao médico, abandonar a atividade física e reduzir o autocuidado geral. Para quem perceber algum sinal de alerta ou mudança no corpo, a orientação é procurar um médico de confiança ou uma unidade de saúde. Gisele recomendou que a mulher insista quando sentir que algo não está normal, pois alguns cânceres podem se camuflar e a própria paciente costuma perceber quando há algo diferente. A especialista concluiu destacando que a população precisa buscar informação de qualidade e resumiu a mensagem central: a informação salva vidas.








