O governo federal aprovou nesta sexta-feira (6) o Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A decisão ocorreu durante a 6ª Reunião Ordinária do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), realizada em Brasília.
A estratégia integra medidas de conservação, restauração e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais. O plano também prevê mecanismos econômicos para reduzir a supressão legal de vegetação, além de fortalecer o financiamento e a capacidade institucional.
Desafios em Mato Grosso do Sul
Os dados do MapBiomas Alerta indicam que Mato Grosso do Sul soma 24.079,66 hectares em áreas com alertas de desmatamento entre setembro de 2025 e setembro de 2026. O Cerrado concentrou a maior parcela, com 15.180,76 hectares, seguido pelo Pantanal, com 8.972,21 hectares.
No ranking municipal, Corumbá lidera com 6.105,34 hectares, seguida por Figueirão (1.880,95 hectares) e Porto Murtinho (1.437,16 hectares). O MapBiomas registrou 14.334,59 hectares em alertas no período de 2026 e 9.745,07 hectares em 2025. É importante destacar que esses números representam alertas identificados pela plataforma e não equivalem, por si só, à confirmação de desmatamento pelos órgãos de fiscalização.
Regulação do mercado de carbono
Na mesma reunião, o CIM estabeleceu diretrizes para a implementação do mercado regulado de carbono brasileiro, previsto na Lei nº 15.042/2024. As regras incluem mecanismos para mensuração, relato e verificação das emissões, visando dar segurança aos setores regulados e estimular investimentos em tecnologias de baixo carbono.
O comitê também definiu limites para a participação brasileira nos mecanismos de cooperação internacional previstos no Artigo 6º do Acordo de Paris. Entre 2026 e 2030, o Brasil poderá autorizar a transferência internacional de até 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Para o período de 2031 a 2035, o limite será de 100 milhões de toneladas.
Segundo o governo federal, entre 2022 e 2026, as taxas anuais de desmatamento caíram 71,2% na Amazônia Legal e 48,4% no Cerrado. As medidas aprovadas integram a agenda climática que o Brasil apresentará na COP31, na Turquia. A presidência brasileira da COP30 também pretende apresentar propostas internacionais para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Durante a reunião, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, defendeu a participação do setor agropecuário na agenda climática. Ele afirmou que a produção brasileira pode conciliar atividade econômica e redução de emissões, reconhecendo a agricultura como parte da solução da transição energética e não apenas como fornecedora de matérias-primas.








