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Dourados realiza primeiro simpósio sobre endometriose com foco multidisciplinar

Dr. Guilherme Shiraishi falou sobre os sintomas da endometriose e a importância do diagnóstico precoce durante entrevista à Massa FM (Foto: Lílian Rech/Massa FM)

Neste sábado, 12 de setembro, a Universidade da Grande Dourados (Unigran) sedia o primeiro simpósio sobre endometriose da região, reunindo médicos, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas para ampliar o acesso à informação e discutir caminhos de diagnóstico e tratamento.

A doença, caracterizada por dores intensas e diagnóstico tardio, afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e pode comprometer a qualidade de vida, a fertilidade e o desempenho escolar ou profissional. A OMS reconhece que atrasos no diagnóstico podem chegar a até 10 anos, agravando sintomas e reduzindo chances de fertilidade.

A iniciativa foi idealizada pela fisioterapeuta Simone Nihues, especialista em fisioterapia do assoalho pélvico, que abriu cerca de 100 vagas online. As inscrições esgotaram rapidamente, demonstrando a demanda reprimida na região.

A programação inclui palestras sobre exames, tratamento clínico, cirurgia robótica e acompanhamento multidisciplinar, com participação de profissionais reconhecidos na área da endometriose. Os especialistas também abordarão estratégias de manejo da dor crônica e a importância da integração entre as áreas de saúde para um acompanhamento efetivo.

Sinais e diagnóstico

Em entrevista à Massa FM, o ginecologista Guilherme Shiraishi, referência em endometriose e cirurgia robótica, destacou que cólicas menstruais muito fortes, dor pélvica, desconforto nas relações sexuais e alterações urinárias ou intestinais relacionadas ao ciclo são sinais que precisam ser investigados.

Ele ressaltou que a normalização da dor contribui para atrasos no diagnóstico, que podem se estender por anos. A OMS aponta que esses atrasos são frequentes e geram impactos significativos na saúde física e mental das pacientes.

Tratamento multidisciplinar

Shiraishi explicou que o tratamento deve ser individualizado, combinando medicamentos, alimentação balanceada, fisioterapia, apoio psicológico e, quando necessário, cirurgia. O médico também é autor do livro “Além da Endometriose”, escrito em linguagem acessível para pacientes e familiares.

Diante da alta procura, os organizadores planejam ampliar o número de vagas nas próximas edições, visando alcançar ainda mais mulheres e seus familiares. O evento reforça a importância de quebrar o silêncio em torno da endometriose e de promover o acesso a informações e cuidados adequados.

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