A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), manifestou‑se publicamente nesta sexta‑feira, 6 de novembro, sobre a instalação formal da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa‑Buraco na Câmara Municipal. Ao ser questionada durante agenda oficial acerca das investigações que irão analisar os contratos de pavimentação e tapa‑buracos da capital, a gestora minimizou o impacto do colegiado e o descreveu como uma vitrine para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).
Em entrevista, Adriane Lopes afirmou: “O papel da Câmara Municipal de Campo Grande é fiscalizar o Executivo. Respeito esse papel e o posicionamento deles. Eles conhecem bem a tratativa e o trabalho que está sendo realizado pela Secretaria de Obras, mas vejo isso como uma oportunidade para demonstrarmos à população, com transparência, o que está sendo feito e como está sendo feito”. A declaração reforça a intenção de usar a CPI como ferramenta de prestação de contas.
O presidente da Casa de Leis, Epaminondas Neto, conhecido como Papy (PSDB), oficializou a abertura dos trabalhos da CPI na mesma manhã. A cerimônia contou com a presença de vereadores, representantes da Secretaria de Obras e imprensa local, marcando o início de um processo que deverá durar até 120 dias, conforme o regimento interno da Câmara.
A instauração da comissão foi resultado de semanas de articulação partidária. O requerimento, encabeçado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), reuniu 24 assinaturas em 16 de outubro e, posteriormente, recebeu o apoio de 29 parlamentares, garantindo a maioria necessária para a aprovação. O documento apontava possíveis irregularidades nos contratos de tapa‑buracos, que teriam sido firmados ao longo de diferentes gestões.
Composição da CPI
Na divisão das vagas, PT e PSDB assumiram o protagonismo da CPI do Tapa‑Buraco. A vereadora Luiza Ribeiro ficou com a presidência, enquanto o vereador Dr. Victor Rocha (PSDB) foi designado relator. O bloco governista garantiu presença estratégica: o vereador Beto Avelar (PP), líder da prefeita na Câmara, integra a comissão como um dos cinco titulares, ao lado de Dr. Lívio Leite (União Brasil) e Wilton Celeste Candelorio, conhecido como Leinha (Avante). O Partido Liberal (PL) ficou sem representação.
Prazo e alcance
A comissão terá prazo de 120 dias para apurar eventuais irregularidades na aplicação de recursos públicos, nos critérios de medição e na qualidade dos serviços de recomposição asfáltica. O primeiro teste prático ocorre na segunda‑feira, 9 de novembro, às 8h, em reunião destinada a definir o plano de trabalho, o cronograma de oitivas e as primeiras diligências de campo.
Um dos pontos críticos a ser resolvido logo no início são as delimitações temporais das apurações. Segundo parecer preliminar da Procuradoria da Câmara, a legislação exige fato determinado e recorte temporal bem definido. Como os contratos de tapa‑buracos têm vigência contínua e incluem aditivos firmados em gestões anteriores à posse de Adriane Lopes, a CPI precisará decidir se investigará apenas os aditivos e ordens de serviço atuais ou se retroagirá a contratações de mandatos passados.
Com a comissão em funcionamento, a expectativa da população é acompanhar a transparência prometida pela prefeita e verificar se a investigação trará ajustes nos processos de contratação e na qualidade das obras. O andamento da CPI será divulgado nas sessões plenárias, e os resultados preliminares deverão ser apresentados antes do término do prazo de quatro meses, permitindo que eventuais medidas corretivas sejam adotadas pela administração municipal.







