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Polícia investiga possível negligência após criança perder perna em acidente com quadriciclo em MS

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apura se houve negligência dos responsáveis por um menino de 2 anos e 6 meses que sofreu amputação da perna esquerda depois de um acidente com quadriciclo em Bandeirantes. O caso ocorreu no sábado, 25, no pátio do Posto São Pedro, às margens da BR-163, e também é acompanhado pelo Conselho Tutelar local.

Acidente e primeiros socorros

De acordo com informações preliminares reunidas pela investigação, a criança estava como passageira de um quadriciclo conduzido por um homem adulto. Ainda no pátio do posto de combustíveis, o veículo colidiu contra uma cerca. O impacto provocou ferimentos graves no menino, que precisou de atendimento emergencial no Hospital Municipal de São Gabriel do Oeste.

Em razão da gravidade, a transferência para a Santa Casa de Campo Grande ocorreu em sistema de “vaga zero”, procedimento utilizado quando não há tempo hábil para aguardar liberação formal de leito. Na capital, a equipe médica decidiu pela amputação da perna esquerda como medida necessária para salvar a vida da criança. A mãe acompanha o menino durante a internação.

Estado de saúde e investigação sobre o condutor

O motorista do quadriciclo também ficou gravemente ferido e permanece internado em Campo Grande. Ele está sob escolta da Polícia Civil porque havia, contra ele, um mandado de prisão em aberto. O teor da ordem judicial não foi detalhado pelas autoridades.

Testemunhas ouvidas no local relataram possível consumo de bebida alcoólica pelo condutor antes da colisão. A polícia ainda não confirmou oficialmente essa informação, que depende de laudos toxicológicos e de depoimentos formais. Outro ponto verificado é o vínculo familiar entre o homem e a criança: até o momento, não há comprovação de que ele seja tio do menino, como chegou a ser ventilado de forma extraoficial.

Apuração de eventual negligência

Além das causas do acidente, a Delegacia de Bandeirantes analisa se houve omissão ou imprudência dos responsáveis legais pela criança. O foco é entender de que forma o menino teve acesso ao quadriciclo, quem autorizou ou permitiu a presença dele no veículo e se havia condições mínimas de segurança para o transporte de um passageiro com menos de três anos de idade.

As autoridades destacam que, até o momento, não há definição sobre culpa. A caracterização de crime ou infração administrativa dependerá do andamento do inquérito, de laudos periciais e de depoimentos colhidos ao longo da semana.

Ações do Conselho Tutelar

O Conselho Tutelar foi acionado no próprio sábado, logo após a ocorrência, e realizou visitas à família para avaliar o contexto no qual a criança vivia. Segundo conselheiros, foram levantadas informações sobre a rotina, as condições de moradia e o grau de supervisão exercido pelos responsáveis.

Com base nessas diligências, o órgão prepara um relatório que será encaminhado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O documento servirá de subsídio para eventuais medidas judiciais de proteção. Até o momento, não foi determinado acolhimento institucional do menino. Qualquer alteração na guarda dependerá de decisão fundamentada das autoridades competentes.

Próximos passos

A polícia deve ouvir novas testemunhas nos próximos dias, incluindo funcionários do posto de combustíveis, pessoas que estavam no local e profissionais de saúde que prestaram os primeiros atendimentos. Também estão em andamento perícias no veículo e no ponto exato da colisão, além da análise de imagens de câmeras de segurança da região.

Conforme estabelece o procedimento, o inquérito poderá resultar em indiciamento por lesão corporal culposa ou mesmo dolosa, caso se comprove embriaguez ao volante, além de eventual crime de abandono de incapaz, a depender das conclusões sobre a participação ou omissão dos responsáveis.

Enquanto isso, o menino segue internado na Santa Casa de Campo Grande, onde passa por acompanhamento pós-cirúrgico e avaliação de especialistas em pediatria, ortopedia e fisioterapia. O hospital não divulgou previsão de alta. A família aguarda a evolução do quadro clínico e a definição das medidas legais que poderão ser adotadas.

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